A GENTE QUER SÓ COMIDA!
Contrariando o que diz a letra de “Comida”, de Marcelo Fromer, Sérgio Britto e Arnaldo Antunes, dezenas de milhões de brasileiros querem, ou melhor, precisam urgentemente, apenas e tão somente, comer.
Os números da fome no Brasil são alarmantes. Pesquisa realizada pela Rede Penssan, aponta que 24,5 milhões de brasileiros iniciam o dia sem saber se terão algo para comer. Há 20 milhões que afirmam passar 24 horas ou mais sem comer em alguns dias, e 74 milhões relatam se preocupar com a possibilidade de passarem por situação semelhante.
Por mais que a sociedade civil se mobilize em campanhas de arrecadação de alimentos, isso não resolverá o problema.
Comecei o texto me referindo a uma canção, e vou me valer de outra para dar prosseguimento.
O saudoso Gonzaguinha, em “Assim Seja, Amém” diz em um verso: “A professora me repreendia, quem não estuda não come merenda. Mas lá em casa meu pai me acudia, não há aquele que com fome aprenda”.
Como esperar de crianças que vivem no limite da pobreza possam ter desempenho escolar que lhes permita romper com essa realidade cruel?
Cadê as ações governamentais que permitam ao menos minimizar essa situação tão terrível?
Mas, nem tudo vai mal no Brasil. O Ministro da Economia, Paulo Guedes, e o Presidente do Banco Central, Campos Neto, vão muito bem com suas fortunas sendo multiplicadas em Offshores em paraísos fiscais. Especialmente neste período em que a política econômica conduzida por Guedes permitiu um crescimento da cotação do dólar para incríveis R$ 5,56.
A mesma situação de folga financeira é vivida pelo empresário Luciano Hang, que sonega impostos no Brasil e, assim como Guedes e Campos Neto, tem economias investidas em Offshores no exterior.
Há muito pouco tempo víamos o ex-deputado Eduardo Cunha tentando explicar a origem dos recursos que mantinha em paraísos fiscais.
Não dá nem para comentar. Vou me valer de novo de um trecho de canção. Desta vez, de Geraldo Vandré que em "Arueira" afirma: “Madeira de dar em doido, vai descer até quebrar. É a volta do Cipó de Arueira no lombo de quem mandou dar”.
SERÁ QUE VAI PEGAR? Hoje me pus a pensar nisso de forma insistente. Lembrei-me da minha infância, quando minha mãe me levava para tomar vacina contra a varíola que era aplicada com um pedaço de vidro cujo nome não sei. Arranhavam meu braço com esse vidro e imagino que colocassem a vacina no ferimento produzido. Os dias seguintes eram dedicados à expectativa de saber se a vacina ia ou não ia pegar. Quando o local da aplicação ficava inflamado e doendo minha mãe ficava feliz da vida e dizia exultante: Pegou! Eu não conseguia entender como é que alguém podia ficar contente com algo que me trazia dor e desconforto. Não sabia ainda, que aquilo era o sinal de que vacina havia produzido o efeito que dela se esperava, que era trazer proteção contra a varíola, que na antiguidade impingiu muito sofrimento à humanidade. Consta que em 460 AC, por exemplo, a varíola dizimou um terço da população da Grécia. Amanhã será o dia em que finalmente vou tomar a vacina contra a COVID-19, q...
Muito bom o texto.
ResponderExcluirA fome é cruel, a desesperança é o modo por que estamos passando.